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  • PORTO ALEGRE RUMO AO RECONHECIMENTO COMO A “CIDADE DA UMBANDA”

    PORTO ALEGRE RUMO AO RECONHECIMENTO COMO A “CIDADE DA UMBANDA”

    Apresentado pelo vereador Professor Vitorino (MDB), o projeto de lei que visa conceder a Porto Alegre o título de Cidade da Umbanda traz consigo uma relevante perspectiva de fomento econômico para a cultura local. Já em andamento na Câmara Municipal, a iniciativa tem como principal objetivo permitir que a capital gaúcha receba verbas do governo federal.

    A fundamentação econômica da proposta explica que, ao reconhecer a Umbanda como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do município, a cidade passa a atender às exigências legais para se beneficiar de leis de incentivo fiscal. Dessa forma, será possível captar recursos direcionados exclusivamente para novos projetos do setor.

    Os investimentos arrecadados por meio desses mecanismos fiscais terão destinos claros:

    • Estrutura: Reforma e conservação dos terreiros e espaços religiosos.

    • Fomento humano: Auxílio financeiro aos zeladores e lideranças que mantêm a tradição viva.

    Segundo o autor da proposta, esse suporte estrutural é fundamental para construir políticas públicas sólidas e que se sustentem de forma autônoma no futuro.

    Além disso, a inclusão das celebrações umbandistas no calendário oficial de Porto Alegre promete impulsionar a economia criativa e o turismo da região. Atualmente, o texto está sob análise das comissões internas da Câmara de Vereadores, que avaliam a viabilidade jurídica e financeira da medida.

  • Projeto em Salvador propõe legitimidade civil para casamentos de matriz africana

    Projeto em Salvador propõe legitimidade civil para casamentos de matriz africana

    Os vereadores de Salvador participaram de uma sessão na Câmara Municipal em que foi votado um Projeto de Indicação solicitando que a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) elabore uma lei voltada ao reconhecimento dos casamentos religiosos realizados em ritos de matriz africana.

    A proposta busca garantir que cerimônias matrimoniais celebradas em religiões como o Candomblé e a Umbanda tenham validade para fins de registro civil e reconhecimento legal dentro da legislação baiana.

    Projeto em Salvador propõe legitimidade civil para casamentos de matriz africana
    Projeto em Salvador propõe legitimidade civil para casamentos de matriz africana por: bnews.com.br

    O texto, que recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), enfrentou resistência de parte dos parlamentares durante a votação.

    Vereadores ligados ao segmento evangélico se manifestaram contra a indicação. Apesar disso, o projeto obteve apoio suficiente para ser aprovado e agora seguirá para análise na ALBA.

    A iniciativa é de autoria do vereador João Cláudio Bacelar, que defendeu o reconhecimento da legitimidade dos casamentos celebrados nesses ritos religiosos. Segundo ele, a medida representa um avanço importante no combate ao racismo religioso e na garantia da liberdade de crença.

  • O bar de Stella Maris que se transformou em reduto de samba, espiritualidade e devoção a Zé Pilintra

    O bar de Stella Maris que se transformou em reduto de samba, espiritualidade e devoção a Zé Pilintra

    Fonte: CORREIO

    Captação: Sora Maia/ CORREIO

    por Sora Maia

    Em meio ao movimento comercial do bairro Petromar, em Stella Maris, o Boteco D’ Rua deixou de ser apenas um bar com decoração temática ligada às religiões de matriz africana. Cercado por imagens de entidades, pequenos altares e mesas distribuídas ao ar livre, o espaço idealizado por João Paulo Melo Borges acabou se tornando um ambiente de acolhimento, onde espiritualidade, lembranças afetivas e cultura popular coexistem de maneira natural, sem formalidades religiosas ou necessidade de explicações. No local, a fé não interrompe a diversão — ela faz parte dela.

    João costuma definir o estabelecimento como um lugar de reencontro espiritual para muitas pessoas. Sentado sob as árvores que ajudam a construir o clima característico do ambiente, usando uma camisa estampada com o nome de Oxóssi, ele conta que muitos clientes chegam movidos por experiências difíceis de explicar. Alguns deixam moedas e doses de cachaça diante da imagem de Zé Pilintra; outros relatam sonhos, intuições ou a sensação de terem sido conduzidos até ali. Há também quem frequente o espaço apenas pelo samba, pela comida ou pela cerveja gelada.

    Antes de o Boteco D’ Rua ganhar fama nas redes sociais e se tornar referência em Stella Maris, João trabalhava com uma marca de roupas inspirada no jeito popular e irreverente do povo baiano. A loja, chamada “Deixa Lá Que a Vida Leva”, vendia peças estampadas com expressões típicas da Bahia dentro de um trailer que permanece no terreno até hoje. A chegada da pandemia, porém, interrompeu completamente as atividades. Com tudo parado, João decidiu retomar uma antiga vontade: abrir novamente um bar.

    A ideia de unir boemia e religiosidade já existia há algum tempo. Quando encontrou o espaço onde hoje funciona o Boteco D’ Rua — antes ocupado por uma simples barraca de cachorro-quente ao lado de um terreno abandonado — enxergou potencial no que para muitos parecia apenas descaso. Segundo ele, o lugar estava tomado por lixo, folhas e restos acumulados. Mesmo com poucos recursos, já tinha em mente a estética e a proposta do bar voltado à cultura de matriz africana.

    A primeira imagem religiosa surgiu de maneira inesperada. Enquanto procurava uma representação de um Exu conhecido como Pantera Negra, João encontrou uma pequena imagem de Zé Pilintra e sentiu que ela combinava perfeitamente com o ambiente que sonhava criar. Naquele período, ele ainda estava iniciando sua caminhada na umbanda. O espaço contava apenas com aquela imagem, uma de São Jorge e um cinzeiro onde frequentadores passaram a deixar moedas espontaneamente. A receptividade dos clientes fez crescer a ideia de ampliar a homenagem à entidade.

    Com o passar do tempo, o bar ganhou novas imagens, referências a orixás e outros elementos religiosos, acompanhando também o aprofundamento espiritual do próprio João. Mais tarde, ele descobriria que a entidade que se manifestava em seus trabalhos espirituais era justamente Zé Pilintra. A partir daí, o personagem ganhou ainda mais destaque dentro do estabelecimento, inclusive com uma imagem maior inspirada nas características físicas do dono do bar.

    Primeiro, a do santo! Crédito: Sora Maia
    Crédito: Sora Maia

    Apesar da forte presença das religiões de matriz africana, João afirma que o espaço busca acolher diferentes crenças. Segundo ele, qualquer pessoa pode frequentar o local levando sua bíblia, guia espiritual ou até o alcorão. O único comportamento que não é tolerado é o preconceito religioso. Mesmo assim, ele reconhece que o bar já enfrentou resistência e julgamentos justamente por assumir publicamente sua ligação com a espiritualidade afro-brasileira.

    Hoje, o Boteco D’ Rua se consolidou como um ponto de encontro onde música, comida, religiosidade e convivência popular ocupam o mesmo espaço. Entre rodas de samba, copos americanos e pedidos silenciosos feitos diante das entidades, o local segue reunindo pessoas que buscam diversão, acolhimento ou simplesmente um momento de conexão consigo mesmas.

  • Terreiro Casa do Mensageiro faz parte de treinamento de letramento ambiental pela UNIFACS

    Terreiro Casa do Mensageiro faz parte de treinamento de letramento ambiental pela UNIFACS

    Na última semana, a a comunidade do terreiro @casadomensageiro foi convidada pela @epaeunifacs, por meio do curso de @unifacsarqurb, em parceria com o @icomosbrasil, a fazer parte de um letramento ambiental que reuniu comunidades tradicionais e representantes de órgãos ligados à patrimonialização.

    Um espaço de troca, escuta e construção coletiva sobre como tecnologias sociais, políticas públicas e saberes comunitários podem caminhar juntos na preservação do meio ambiente.

  • Babá Pecê de Oxumarê celebra 60 anos de iniciação e 190 anos de fundação da Casa de Oxumarê

    Babá Pecê de Oxumarê celebra 60 anos de iniciação e 190 anos de fundação da Casa de Oxumarê

    Babá Pecê de Oxumarê celebra 60 anos de iniciação e reafirma legado histórico da Casa de Oxumarê

    O babalorixá Babá Pecê de Oxumarê irá celebrar 60 anos de iniciação no candomblé, em um momento considerado histórico para a comunidade de axé e para todos aqueles que acompanham a trajetória da tradicional Casa de Oxumarê, em Salvador. A celebração representa não apenas uma marca pessoal de dedicação à espiritualidade, mas também o fortalecimento de uma herança ancestral construída ao longo de décadas por lideranças comprometidas com a preservação das religiões de matriz africana no Brasil.Reconhecido nacionalmente por sua atuação religiosa, cultural e social, Babá Pecê se tornou uma das principais referências do candomblé baiano. Ao longo dos anos, sua caminhada foi marcada pelo compromisso com os ensinamentos transmitidos pelos mais velhos, pela valorização da ancestralidade africana e pela defesa do respeito às tradições dos povos de terreiro. Sua atuação ajudou a ampliar a visibilidade da cultura afro-brasileira e a fortalecer o reconhecimento da importância histórica das comunidades tradicionais de axé.A Casa de Oxumarê, também conhecida como Ilê Axé Oxumarê, ocupa um papel de destaque dentro da história do candomblé no país. Considerado um dos terreiros mais antigos e respeitados do Brasil, o espaço mantém viva uma tradição centenária ligada à preservação da memória, da espiritualidade e da identidade negra. Ao longo do tempo, a casa se consolidou como símbolo de resistência cultural e religiosa diante dos desafios enfrentados pelas religiões de matriz africana, especialmente em relação à intolerância religiosa e ao preconceito histórico sofrido pelas comunidades de terreiro.Além da relevância espiritual, a Casa de Oxumarê também desenvolve atividades voltadas à promoção cultural e social, fortalecendo ações educativas e iniciativas de valorização das raízes afro-brasileiras. A trajetória de Babá Pecê acompanha esse compromisso coletivo, reforçando a importância de preservar os saberes ancestrais e garantir que as futuras gerações tenham acesso à história e aos ensinamentos tradicionais do candomblé.

    A celebração dos 60 anos de iniciação deve reunir membros da comunidade religiosa, lideranças de diferentes casas de axé, pesquisadores, admiradores da cultura afro-brasileira e representantes de movimentos ligados à valorização da diversidade religiosa. O evento simboliza um momento de reconhecimento à contribuição de Babá Pecê para o fortalecimento da religião e para a continuidade das tradições que fazem parte da formação cultural brasileira.

    Em um cenário onde ainda existem casos de discriminação e intolerância contra religiões de matriz africana, a trajetória de Babá Pecê e da Casa de Oxumarê ganha ainda mais importância. A permanência e o fortalecimento dessas tradições representam resistência, preservação histórica e afirmação da identidade de milhares de pessoas que encontram no candomblé um espaço de espiritualidade, acolhimento e conexão com a ancestralidade.

    Mais do que uma comemoração religiosa, os 60 anos de iniciação de Babá Pecê representam a continuidade de um legado construído com dedicação, respeito e compromisso com os valores ancestrais. A data reforça o papel fundamental da Casa de Oxumarê na preservação da cultura afro-brasileira e evidencia a importância das lideranças religiosas na manutenção das tradições que atravessam gerações e seguem vivas na história do Brasil.